Guimarães 2012

Guimarães 2012

Passou quase um mês sobre o lançamento oficial da marca escolhida para Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura, mas só recentemente comecei a ver a sua aplicação regular, em anúncios distribuídos por algumas publicações ligadas às artes. Aquando da sua apresentação, a identidade suscitou alguma desconfiança na blogosfera, principalmente o recurso alegadamente despropositado do coração (um símbolo visual evidentemente sobre-usado) e a fraca ligação entre a marca e o espírito e cultura vimaranenses. Confesso que, inicialmente, essas críticas me pareceram algo exageradas, mas após ler o case study publicado na página Web do designer responsável pela marca, o respeito moderado que tinha pela execução que conhecia (apresentada acima) desapareceu quase por completo.

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Simon de Pury

Só muito recentemente tomei consciência da vaga assombrosa de reality shows (ou reality contests) que tem invadido as televisões norte-americanas nos últimos anos, e cujo tema central revolve em torno do universo do design. Dei-me conta disso mesmo ao cruzar-me, acidentalmente, com um episódio de um desses programas, em que uma dezena de jovens aspirantes a designers de moda competiam entre si, criando peças de vestuário na tentativa de impressionar um painel de júris constituído essencialmente por designers de moda profissionais. Pelo que consegui percebi, cada programa é um exercício novo, semelhante aos que um estudante de Design de Moda poderá encontrar ao longo da sua licenciatura. Após quinze minutos de apresentação do exercício, e outros quinze com um apanhado dos trabalhos, os júris discorrem sobre os vários trabalhos, argumentando os motivos pelos quais determinados trabalhos são claramente superiores, e no final eliminam o incompetente do dia. A premissa é simples, e tem sido repetida até à exaustão, para todas as variantes mais populares do design: de moda (claramente campeão, com uma mão cheia de programas diferentes, vários dos quais emitidos pelo mesmo canal), de equipamento, de produto (um dos quais, produzido e emitido pela BBC, é apresentado pelo desprezível designer francês Philippe Starck), de interiores (em Portugal, uma aproximação ao formato do sobejamente conhecido While You Were Out recebeu o infeliz nome de Querido, Mudei a Casa e está pejado de intervenções de designers de interiores que em nada glorificam a posição global do design em Portugal), e por aí adiante. Tudo quanto era possível transformar num reality show, foi. Excepto o design gráfico. Ou, pelo menos, assim pensava.

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Ontem pelo fim da tarde, o Dinís, membro da Nefasto, mostra-me uma curta metragem, realizada para a cadeira de Animação, da licenciatura de Com. Design Mult. da ESEC. Devo confessar que levei uma estalada de mão cheia, daquelas que nos deixam uns segundos sem ouvir nada… Mas nunca uma estalada me soube tão bem! Admito que o conformismo e a apatia me levam a partir de um nível mais baixo, mas a curta metragem que vi: Aurum, conseguiu isso, e acredito que conseguirá bem mais!

É com grande felicidade que vejo que da Esec, uma escola tão propicia à infertilidade, nasce um trabalho notoriamente superior. Rúben Amado, Gui Mota e João Fonseca, estão de parabéns, e devem ter consciência do bom trabalho que aqui mostram, afinal o esforço é recompensado! Uma boa premissa, um excelente conceito visual, e (pelo making of) uma dedicada equipa de trabalho! Continuem em frente!

Aqui mostro a curta:

E aqui fica o Making Of:

Curiosamente, nas viagens sem destino que faço frequentemente no browser, esbarrei com uma apresentação que explica, de forma concreta, o que se entende por Brand e o que ela é na verdade.

Devo confessar que eu próprio fiquei muito mais elucidado com o que  li. Se já era um defensor acérrimo da construção e estruturação de uma marca com pés e cabeça, muito mais fascinado fico com a forma multi-disciplinar que leva ao processo de criação de uma Brand. Teria gosto em fazer parte de um projecto de construção de uma, pois apercebo-me que nunca o fiz, e nunca um designer independente, ou mesmo um atelier, o poderá fazer de forma completa. Um dos pontos que me surpreende é o facto de que cabe tão pouco ao designer na criação da Brand. Nem a  Empresa, Negócio ou Instituição são detentoras da sua Brand, esta é um organismo vivo, que respira, cresce, diminui, adoece e pode mesmo morrer, dependendo das inúmeras partes  que a constituem; a sua identidade, a sua imagem, os orgãos que a compõem, o seu público, os seus rivais, etc.

Não me adianto mais, porque por mais que tente explicar, não o farei melhor que esta apresentação:

The Brand Gap

Puzzle Bobble

Ocorreu-me, durante um reencontro com esse clássico de arcada da minha infância, que jogar Puzzle Bobble com regularidade é uma excelente prática para qualquer designer gráfico, por exercitar, ainda que de forma inconsciente, preciosas faculdades visuais ligadas ao alinhamento óptico. É pouco provável que algum dia venha a fazer parte do programa de uma cadeira de design, mas pensar nisso sempre ajuda a aliviar o sentimento de culpa.

Tal como no artigo que escrevi aqui no blog da Nefasto há uns meses, este artigo que escrevo agora foi motivado por algo que li no suplemento Ípsilon, do Público.
Basicamente, tudo começou com uma entrevista de António Pedro Vasconcelos acerca do seu mais recente filme “A Bela e o Paparazzo”. Em resposta a esta, na semana seguinte e no mesmo suplemento, o crítico de cinema Vasco Câmara depois de ter visto o filme e de ter lido essa entrevista, decidiu dar a sua opinião não só na forma de estrelas (neste caso mais na forma de bola…), mas também com uma crónica.
Mais uma semana passada e António Pedro Vasconcelos, claramente afectado pela acidez das críticas, decide escrever no mesmo espaço onde Vasco Câmara se expressou uma reacção ao que leu na semana anterior.
A primeira impressão que fica é que isto não passa de uma guerra de palavras mesquinha entre um crítico amargo e um realizador ofendido, mas ao ler com atenção os três artigos transparece algo mais. Por baixo desta camada egoísta e superficial estão questões que ambos tocaram e que, na minha humilde opinião, são relevantes para todos os que se interessam por cinema. Por isso, e mesmo sabendo que a minha visão vale tanto como qualquer outra, decidi também meter a colher nesta sopa de letras que já começa a azedar.

(continua…)

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