Pássaro do Twitter

Pássaro do Twitter

Começou com uma notícia talvez não directamente relacionada com o assunto, que relatava o modo como (esse incompreensível fenómeno que é) o Twitter pagou pouco mais de quatro euros pelo pequeno pássaro ostentado na página inicial do serviço, que entretanto se transformou num ícone cultural reproduzido à escala mundial (não sendo um caso isolado, no que diz respeito a símbolos usados pelo Twitter), e uma das principais imagens de marca do site. O preço irrisório pago pela imagem resulta do facto de esta ter sido adquirida através do iStockPhoto, um site de venda e compra de direitos de uso sobre imagens ditas de stock (imagens de livre utilização pela comunidade, gratuitamente ou mediante o pagamento de uma pequena taxa).

Surpreendentemente, não é raro encontrar empresas que confiam plenamente a sua imagem de marca a ícones adquiridos através de serviços semelhantes, cortando com os custos associados à criação de uma identidade (s.f. conjunto de elementos que permitem saber quem uma pessoa é) – o que, convenhamos, levanta um considerável número de sérias questões, sobre as quais prefiro não me debruçar para já.

Tudo isto me levou, na verdade, a pensar um pouco sobre um curioso fenómeno, muito frequente no seio do design gráfico em geral, mas com maior incidência no design de identidade e no webdesign, que dá pelo nome de crowdsourcing (também conhecido por trabalho especulativo), e que consiste na atribuição de uma dinâmica de concurso ao processo criativo, dando ao cliente a possibilidade de apresentar o seu projecto perante um grupo de designers independentes, espalhados pelo globo, que podem ou não optar por iniciar o trabalho, paralelamente com os restantes membros da comunidade. Os designers que aceitam o desafio competem então entre si, apresentando publicamente a sua proposta e, após a data limite definida pelo cliente, este escolhe aquela que melhor se adequa às suas necessidades. Caso mais de 25 propostas diferentes sejam apresentadas, o cliente é obrigado a escolher uma, mesmo não estando totalmente satisfeito.

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Como já devem saber, cá na Nefasto somos grandes fãs de cinema e, por isso, este tema tem naturalmente presença assídua nas nossas conversas. No entanto, nutrimos um fascínio especial por curtas metragens, sejam elas de imagem real ou animação.

É então nesta última categoria que esta pequena pérola se insere. Vi-a pela primeira vez numa mostra dos vencedores do festival Cinanima 2008 e a partir daí incluí-a imediatamente no lote das minhas preferidas. Procurei-a incessantemente, sem sucesso, até mais recentemente conseguir vê-la a confirmar a sua qualidade ao vencer o Oscar para Melhor Curta Metragem de Animação.

É uma história de uma beleza e simplicidade impressionantes. Um verdadeiro poema sobre o acto solitário de envelhecer e da necessidade do Homem de ter a certeza que viveu antes de morrer. Agora disponível para toda a gente testemunhar a sua beleza:

O autor de um estudo sobre soluções gráficas adoptadas, em 110.000 primeiras páginas, por três diários do Porto, admitiu hoje que os designers de jornal são mal amados nas redacções, alegadamente por sacrificarem conteúdos em favor da estética.

in Diário Digital

Não quero entrar na lamechice, mas a verdade é que os designers que trabalham em Portugal são cada vez mais maltratados

Eduardo Aires

Dá que pensar, e vale definitivamente a pena ler.