Simon de Pury

Só muito recentemente tomei consciência da vaga assombrosa de reality shows (ou reality contests) que tem invadido as televisões norte-americanas nos últimos anos, e cujo tema central revolve em torno do universo do design. Dei-me conta disso mesmo ao cruzar-me, acidentalmente, com um episódio de um desses programas, em que uma dezena de jovens aspirantes a designers de moda competiam entre si, criando peças de vestuário na tentativa de impressionar um painel de júris constituído essencialmente por designers de moda profissionais. Pelo que consegui percebi, cada programa é um exercício novo, semelhante aos que um estudante de Design de Moda poderá encontrar ao longo da sua licenciatura. Após quinze minutos de apresentação do exercício, e outros quinze com um apanhado dos trabalhos, os júris discorrem sobre os vários trabalhos, argumentando os motivos pelos quais determinados trabalhos são claramente superiores, e no final eliminam o incompetente do dia. A premissa é simples, e tem sido repetida até à exaustão, para todas as variantes mais populares do design: de moda (claramente campeão, com uma mão cheia de programas diferentes, vários dos quais emitidos pelo mesmo canal), de equipamento, de produto (um dos quais, produzido e emitido pela BBC, é apresentado pelo desprezível designer francês Philippe Starck), de interiores (em Portugal, uma aproximação ao formato do sobejamente conhecido While You Were Out recebeu o infeliz nome de Querido, Mudei a Casa e está pejado de intervenções de designers de interiores que em nada glorificam a posição global do design em Portugal), e por aí adiante. Tudo quanto era possível transformar num reality show, foi. Excepto o design gráfico. Ou, pelo menos, assim pensava.

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Ontem pelo fim da tarde, o Dinís, membro da Nefasto, mostra-me uma curta metragem, realizada para a cadeira de Animação, da licenciatura de Com. Design Mult. da ESEC. Devo confessar que levei uma estalada de mão cheia, daquelas que nos deixam uns segundos sem ouvir nada… Mas nunca uma estalada me soube tão bem! Admito que o conformismo e a apatia me levam a partir de um nível mais baixo, mas a curta metragem que vi: Aurum, conseguiu isso, e acredito que conseguirá bem mais!

É com grande felicidade que vejo que da Esec, uma escola tão propicia à infertilidade, nasce um trabalho notoriamente superior. Rúben Amado, Gui Mota e João Fonseca, estão de parabéns, e devem ter consciência do bom trabalho que aqui mostram, afinal o esforço é recompensado! Uma boa premissa, um excelente conceito visual, e (pelo making of) uma dedicada equipa de trabalho! Continuem em frente!

Aqui mostro a curta:

E aqui fica o Making Of:

Tal como no artigo que escrevi aqui no blog da Nefasto há uns meses, este artigo que escrevo agora foi motivado por algo que li no suplemento Ípsilon, do Público.
Basicamente, tudo começou com uma entrevista de António Pedro Vasconcelos acerca do seu mais recente filme “A Bela e o Paparazzo”. Em resposta a esta, na semana seguinte e no mesmo suplemento, o crítico de cinema Vasco Câmara depois de ter visto o filme e de ter lido essa entrevista, decidiu dar a sua opinião não só na forma de estrelas (neste caso mais na forma de bola…), mas também com uma crónica.
Mais uma semana passada e António Pedro Vasconcelos, claramente afectado pela acidez das críticas, decide escrever no mesmo espaço onde Vasco Câmara se expressou uma reacção ao que leu na semana anterior.
A primeira impressão que fica é que isto não passa de uma guerra de palavras mesquinha entre um crítico amargo e um realizador ofendido, mas ao ler com atenção os três artigos transparece algo mais. Por baixo desta camada egoísta e superficial estão questões que ambos tocaram e que, na minha humilde opinião, são relevantes para todos os que se interessam por cinema. Por isso, e mesmo sabendo que a minha visão vale tanto como qualquer outra, decidi também meter a colher nesta sopa de letras que já começa a azedar.

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Tal como prometido, cá estou eu hoje para revelar os meus favoritos da música de 2009.
Como já tinha dito no post anterior, estas escolhas são baseadas apenas em gosto pessoal, portanto é muito natural haverem discordâncias por parte de muita gente. Nomes como Animal Collective, The xx ou Harlem Shakes não constam na lista justamente porque não se encaixam no meu gosto pessoal e não os queira incluir apenas porque uma mão cheia de sites, jornais e revistas os consideram geniais. Outros casos particulares que não constam aqui são os Placebo e os Muse, por razões diferentes dos anteriores: são bandas que eu adoro mas que, nos álbuns que lançaram este ano, fizeram aquilo a que eu considero esterqueira.
Adiante, o melhor é mesmo mostrar a lista e deixar o resto para quem quiser apreciá-la.
(por não querer usar nenhum tipo de ordem ou de contagem, coloquei os nomes por ordem alfabética)

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Como certamente já toda a gente se deve ter apercebido (se não se aperceberam é porque ou não vêem televisão, não vão à internet nem lêem qualquer tipo de imprensa ou então são eremitas e vivem numa caverna), aproxima-se o fim do ano de 2009 e consequentemente o fim da década de 2000 (ou ’00, como preferirem). Com eles surgem também as mais variadas listas e tops das mais variadas coisas de modo a organizar e catalogar o que de melhor se registou na década que está a passar.

Confesso que, como sou curioso por natureza, dou sempre uma vista de olhos nestas listas e tops apesar de não concordar muito com a rotulagem e arrumação em gavetas que este tipo de exercício parece demonstrar. Passo a explicar: gosto de ver estas listas porque há sempre qualquer coisa que me passa ao lado por muito bom e falado que seja, mas por outro lado não gosto porque há sempre aquela mania de ordenar numericamente os elementos da lista, o que leva sempre a comentários (incluindo da minha parte) do género “Como é possível X estar à frente de Y quando é muito pior?!” ou “Como é possível Z estar sequer nesta lista e outros melhores não estarem?!”, e por aí adiante…

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A pergunta é: “O que estás a pensar?”

Cada vez que abro o facebook, uma rede social onde ‘existo’, deparo-me com uma lista de eventos, convites, aplicações, notificações, etc. E cansei-me disso!

Por esta altura, faz-se o clique na primeira notificação, e, se para minha solitária felicidade me propusesse a passar duas horas só aqui, era perfeitamente plausível que conseguisse, mas sem me esticar muito (como quem diz, ‘bora despachar isto que tenho de ir ver o twitter ou assim’); Primeiro, aceitar convites de amizade, rejeitar convites de amizade, abrir o perfil da tal de Maria para tentar perceber quem é, sendo que pela lateral do nariz e meio olho direito existentes na foto de perfil, errr, não atinjo – adiante – bloquear pela enésima vez o tal de farmville – meus caros, tenho um terreno na aldeia de onde venho, que gentilmente vos cedo para sujarem as mãos (também há sacholas [desculpem o vocabulário específico]) – todas as outras do tipo café world e afins vou-me abster de comentários sendo o a afirmação de abstenção de comentários a própria excepção à abstenção! (mais…)

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