No ano passado, mais ou menos por esta altura, escrevi um post sobre os meus favoritos na música em 2009, ao qual mais tarde o Eduardo respondeu com os seus.
Este ano até podemos fazer o mesmo, mas talvez mais tarde. Para já, acho que podÃamos voltar a atenção para outro tipo de lista de fim de ano, esta um pouco mais ligada ao Design.
Ao passear um pouco pela Internet, é difÃcil não esbarrar em listas sobre tudo e mais alguma coisa, à s vezes de coisas bem ridÃculas. Nesta lista que se segue decidi voltar a atenção para aquilo que de pior se fez em 2010 em termos de capas de álbuns. Deliciem-se (ou protejam os olhos…) com estas imagens que fazem muitas vezes perguntar “Mas quem é que faz uma coisa destas??”.
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Simon de Pury
Só muito recentemente tomei consciência da vaga assombrosa de reality shows (ou reality contests) que tem invadido as televisões norte-americanas nos últimos anos, e cujo tema central revolve em torno do universo do design. Dei-me conta disso mesmo ao cruzar-me, acidentalmente, com um episódio de um desses programas, em que uma dezena de jovens aspirantes a designers de moda competiam entre si, criando peças de vestuário na tentativa de impressionar um painel de júris constituÃdo essencialmente por designers de moda profissionais. Pelo que consegui percebi, cada programa é um exercÃcio novo, semelhante aos que um estudante de Design de Moda poderá encontrar ao longo da sua licenciatura. Após quinze minutos de apresentação do exercÃcio, e outros quinze com um apanhado dos trabalhos, os júris discorrem sobre os vários trabalhos, argumentando os motivos pelos quais determinados trabalhos são claramente superiores, e no final eliminam o incompetente do dia. A premissa é simples, e tem sido repetida até à exaustão, para todas as variantes mais populares do design: de moda (claramente campeão, com uma mão cheia de programas diferentes, vários dos quais emitidos pelo mesmo canal), de equipamento, de produto (um dos quais, produzido e emitido pela BBC, é apresentado pelo desprezÃvel designer francês Philippe Starck), de interiores (em Portugal, uma aproximação ao formato do sobejamente conhecido While You Were Out recebeu o infeliz nome de Querido, Mudei a Casa e está pejado de intervenções de designers de interiores que em nada glorificam a posição global do design em Portugal), e por aà adiante. Tudo quanto era possÃvel transformar num reality show, foi. Excepto o design gráfico. Ou, pelo menos, assim pensava.
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Puzzle Bobble
Ocorreu-me, durante um reencontro com esse clássico de arcada da minha infância, que jogar Puzzle Bobble com regularidade é uma excelente prática para qualquer designer gráfico, por exercitar, ainda que de forma inconsciente, preciosas faculdades visuais ligadas ao alinhamento óptico. É pouco provável que algum dia venha a fazer parte do programa de uma cadeira de design, mas pensar nisso sempre ajuda a aliviar o sentimento de culpa.
Há já algum tempo atrás falei aqui do fenómeno do trabalho especulativo. Na altura usei como exemplo o crowdSPRING, uma espécie de mercado de marcas, no qual se vendem logótipos anexados a nomes de empresas que não existem, mas que o comprador pode registar após a aquisição do referido logo. Não querendo insistir demasiado nisso, digamos que é um local onde designers gráficos podem libertar toda a sua criatividade e direccionarem o seu espÃrito inovador para a criação de logótipos para empresas fictÃcias para as quais inventam um qualquer nome, na esperança de que alguém veja nisso uma excelente oportunidade de começar um negócio. Esse problema, no entanto, está há muito visto e debatido – adiante…
Hoje cruzei-me, numa rotineira passagem por um desses sÃtios que condensam o melhor do design gráfico actual com o intuito de atrair visitantes e, por consequência, gerar algum lucro, com alguns logótipos desenhados para um site semelhante chamado BrandStack (creio que anteriormente conhecido como IncSpring) e apercebi-me da distorção extrema do conceito de design inteligente que resulta deste tipo de serviços. Alguns dos logótipos desenhados para este e outros sÃtios semelhantes correram a Internet, sendo indiscriminadamente chapados em blogs e design showcases como exemplos de superioridade criativa na área do desenho de identidade. Confesso que, de inÃcio, e acreditando tratarem-se de soluções para problemas reais, reconheci valor em alguns desses logos – o da Piano Forest e o da Horror Films são alguns dos que melhor me recordo.
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Mais que justo, parece-me necessário promover a leitura deste artigo de Mário Moura, acerca da mistura de indignação e incredulidade que o valor cobrado por Henrique Cayatte ao Estado pelo design da página Web e estacionário das comemorações do Centenário da República tem gerado.
Uma boa percentagem dos designers gráficos e/ou multimédia em actividade em Portugal já o terá sentido por diversas vezes, mas não deixa de ser uma amarga novidade o olhar, parte reprovação, parte pena, de quem em má hora pergunta: então e você, faz o quê? Não se sente com tanta intensidade no litoral, por certo, mas, no interior do paÃs, o designer está condenado, pelo menos por mais meia-dúzia de anos, à infeliz condição de profissional menor – talvez até nem profissional, uma espécie de técnico de composição gráfica semi-amador que, por algum motivo, se perdeu na heróica caminhada rumo à profissionalização nas nobres áreas da saúde, da engenharia ou, porque não, da arquitectura.
Acabo sempre por me arrepender, mas lá vou respondendo honestamente à pergunta. Hoje foi no consultório, para desilusão do médico, que se entusiasmava já quando lhe disse que tirava um mestrado em Coimbra – “Ai sim? Óptimo! Então e em quê?”. Era previsÃvel que a reacção à minha resposta fosse um seco ah, seguido de um desviar do olhar e de conversa, e que acabasse comigo a desejar ter respondido qualquer coisa como engenharia bio-mecânica e macro-electro-técnica aplicada à medicina aeroespacial.
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