Depois de ler o post do Eduardo, não pude deixar de concordar com uma mão cheia de coisas que aproveito agora para comentar e retificar o meu post. Tenho de confessar que aquilo que o Eduardo fez ao não enumerar mas a separar por grupos de acordo com o peso que alguns álbuns tiveram e com a quantidade de vezes que foram ouvidos foi muito bem pensado. Por mais que tente manter a lista o mais imparcial possível é inevitável haver aqueles mais próximos pelos quais se tem um carinho especial e outros que rodam principalmente em plano de fundo. Assim, aproveito para copiar a iniciativa:
- As estrelas
Se tiver de escolher o grande álbum deste ano, aquele que mais me agarrou, digo sem hesitar Humbug dos Arctic Monkeys. Se calhar é uma escolha pouco imparcial, devido ao meu fanatismo por esta banda, mas acho que não estou a ser muito injusto. Tal como o Eduardo, este álbum assustou-me bastante nas duas primeiras audições (ainda me lembro bem de comentar com ele exactamente isso), mas como Pessoa tem o mau hábito de ter sempre razão, primeiro estranhou-se, depois entranhou-se. E de que maneira, meus amigos… Não tiveram medo de arriscar em ir numa direcção enviesada ao que costumavam ir e sem dúvida que ganharam a aposta. Em Fevereiro lá estarei para comprovar isso ao vivo.
Outro que também rodou bastante nas minhas colunas e pelo qual comecei a, gradualmente, ficar agarrado foi o Veckatimest dos Grizzly Bear, que chegam a este álbum não por pura sorte mas por um trabalho em crescendo que têm vindo a efectuar desde o primeiro álbum (podendo incluir-se entre eles também o de Department Of Eagles).
- A continuidade
Neste grupo de álbuns incluem-se aqueles que mantiveram mais ou menos o mesmo registo e a mesma coerência em relação aos trabalhos anteriores, que não registaram grandes revoluções ou mudanças mas que ainda assim não deixam de ser álbuns dignos de audição. Entre eles estão Andrew Bird, Beach House, Black Lips, Heavy Trash, Kings Of Convenience, Maximo Park, Mazgani, Norberto Lobo, Sean Riley & The Slowriders, The Dodos, The Legendery Tigerman, The Raveonettes, Wolfmother e Yeah Yeah Yeahs. Destaque ainda para The Decemberists que criaram algo delicioso: um álbum impossível de ouvir em shuffle, devido ao facto das músicas terem todas ligação umas com as outras, numa ordem específica, o que dá a sensação de estarmos a ouvir uma única música do início ao fim do álbum, com nuances fantásticas.
- Álbuns com um par de músicas absolutamente brilhantes, três músicas boas e cinco músicas de enchimento
Roubo este grupo ao Eduardo por descrever exactamente aquilo que se sente e a avaliação que se dá ao chegar ao fim da audição do álbum. Encontram-se neste grupo: Phoenix, Sian Alice Group, Soap&Skin, The Horrors, The Veils, Virgem Suta.
- Estreias e surpresas
Este é o grupo que, no fim de contas, me dá mais prazer por ser aquele que engloba um conjunto de nomes que há uns meses atrás não fazia ideia que existiam e que agora não saem da minha playlist de favoritos e/ou que já conhecia mas que de algum modo surpreendeu pela positiva. Bill Calahan esgueirou-se pelos meus ouvidos e alojou-se debaixo da pele para nunca mais sair, Capsula, uns improváveis rockers Argentinos, vieram do outro lado do oceano para mostrar como so rocka a sério, Dan Auerbach tirou férias dos Black Keys para mostrar que sozinho também tem força, Japandroids foram a surpresa mais agradável que ouvi este ano, Kurt Vile veio não sei de onde para me deixar congelado em frente às colunas, Sonic Youth ressuscitaram e mostraram que quem é realmente bom é sempre bom, The Dead Weather, uma endiabrada dream team que fizeram um álbum que me atrevo a chamar de voodoo rock (correndo o risco de soar a ridículo, mas parece-me adequado).
- A armada portuguesa
Aqui junto aqueles que julgo serem os melhores representantes da música portuguesa actualmente. O facto de não incluir nenhum nome de uma certa e determinada linha de montagem a que chamam de Flor Caveira, aliado ao facto de incluir bastantes nomes que não cantam em português, pode causar alguma comichão e indignação a algumas pessoas, mas como já tinha referido anteriormente, é apenas o meu gosto pessoal. As minhas escolhas portuguesas são então: JP Simões apesar de ser há muito tempo uma força mais do que assumida no panorama da música portuguesa conseguiu com este álbum agarrar-me e fixar-me ainda mais; Mazgani que cada vez mais se afirma como uma presença maior da nossa música; Norberto Lobo que só com a sua humilde guitarra dispara maravilhas em forma de composições instrumentais ao mesmo tempo graciosas e poderosas; Sean Reily & The Slowriders continuam a ser um caso único ao conseguir juntar influências como o rock, o country e o folk americanos no ambiente frutífero de Coimbra; The Legendary Tigerman, conterrâneo dos anteriores e locomotiva rock imparável já nosso bem conhecido; Tiguana Bibles, mais uma banda nascida em Coimbra, que se estreia com um deliciosamente inesperado rockabilly electrizante; finalmente os Virgem Suta, que, no meio da quinquilharia sonora que se auto-afirma como a vanguarda da música tradicional portuguesa pop (muito provavelmente não é bem esta a designação correcta, mas pronto…), ainda consegue erguer o pescoço e mostrar algo de interessante.
Peço desculpa por já me ter alongado mais do que contava, mas este é realmente um assunto querido e quando começo a falar disto o comboio segue por aí adiante…