Falando para uma comunidade próxima, e atenta, gostava de salientar algo que, por defeito, nos atinge a todos nós, interessados e realmente apaixonados pelo que fazemos.
Estamos no fim da jornada académica, que o ensino sup(inf)erior do sector público tem para nos oferecer. Daria pano para mangas falar e queixar-me de professores, instituições, métodos, matérias, disciplinas, ou falta delas.
Quero antes, e com isto, tirar o tapete debaixo dos pés de muita gente, falar dos futuros “profissionais†de design que vi de perto e acompanhei por vezes. Talvez pareça voltar a espada para o lado contrário, mas os importantes, sentirão a mesma indignação que eu.
Será fácil falar de algo que nos irrita e constrange mas que, principalmente, fica bem dizer, porque estamos na situação morna do queixume fácil. Mas será que o designer se constrói como tábua rasa onde tudo assenta? Espera-se de um curso a solução milagrosa para o sucesso?
Claro que não, tristemente, a entidade de ensino é a primeira a errar quando aceita para um curso de Design, alunos provenientes de áreas distantes e tão pouco complementares a esta área.
Resultado? O que encontro, e não posso falar se não por mim, são alunos que desconhecem a maior parte das bases onde assenta toda a estrutura que deveria consistir a um profissional. Chamo-lhes assim os “Flutuantes†que pairam, à maré do vento e que pensam que ao fechar um olho e franzir a testa conseguem resolver qualquer problema gráfico que encontram.
Culpar a escola, que fácil será, mas a escola continua, e infelizmente os Flutuantes também.
O que sobra afinal? Profissionais fresquinhos, acabados de formar, e completamente deformados! Deficientes naquilo que estão destinados a fazer, frágeis e inexperientes.
Não me ralaria com a situação, e aqui mostro o meu narcisismo, se a situação não me prejudicasse, mas prejudica. Quando sair da maravilhosa ESEC, o meu rótulo é exactamente o mesmo que o dos demais, que espalharão aos quatro ventos o profissionalismo e rigor que marcou a sua especialização! Caladinhos e amansados com notas “suficientes†os Flutuantes não terão problemas em ir para uma empresa a dizer que são Designers Profissionais, e que dominam mais de uma dúzia de programas!
Não, eles não dominam, abriram o programa três vezes, e o resultado que extraÃram deles, foi, maior parte das vezes, deprimente. Por quê? Porque flutuam, porque não têm bases, e desconhecem que um programa é uma ferramenta e não um método, e eles desconhecem o método, não sabem pensar um problema, porque nunca o fizeram antes. Não terão problemas em esticar uma imagem até aos confins da sua existência, deformar uma fonte, que aparecerá muitas vezes em cor de rosa choque num fundo o mais amarelo fluorescente possÃvel!
Cuidado! Empresas interessadas em contratar profissionais! Ao dizer isto o meu futuro fica em jogo, bem como os apaixonados pelo Design que encontrei nesta escola, são poucos mas bons, tão apaixonados por este mundo como eu! O meu rótulo é o mesmo de qualquer outro flutuante! Mais um que vem da ESEC!
Resta-me tentar mostrar trabalho, resultados e provas de que existem excepções à regra! Eu e aqueles com que tantas vezes já uni forças, não tomo isto por presunção, mas por direito de expressão. Todos a temos, poucos se fazem valer dela!
Vamos lutar contra os maus designers, contra o “fazer mais ou menosâ€, e contra os Flutuantes em geral.
Somos os frutos que damos!


