Mestre Agostinho da Silva

Mestre Agostinho da Silva

Embrenhado entre páginas e páginas de conteúdo, fui de encontro mais uma vez ao grandioso Homem, Agostinho da Silva, verdadeiro ser pensante, intemporal nas suas palavras, encontrei nele casa ao raciocínio que tecia no meu relatório de estágio. Sobre algo a que não quero dar peso pela oposição ao meu pensamento, lembrei o caso de alguém que afirmou a morte, ou não existência de originalidade nos tempos actuais. Sendo o tema complexo, a resposta contrária, óbvia, não deixa de necessitar reflexão.

A originalidade, define à partida, algo que necessita de termo de comparação,para se destacar pela diferença, ora a diferença aplica-se a qualquer coisa do universo, inclusive ao Homem. E foi aqui que encontrei a mestria das palavras de Agostinho da Silva, que não resisto a partilhar-vos: “Cada um de nós como homem é inteiramente excepcional, e todas as coisas que existem no mundo deveriam ser excepções aplicadas a estes seres excepcionais. Simplesmente as condições da sociedade em que vivemos, obriga todos nós a lentamente, nos indo parecendo uns com os outros…” afirmando o claro papel toldante do meio e da sociedade sobre a nossa individualidade.

Adiante, encontrei uma reflexão, entre tantas que debatem o tema, que enaltece o individuo como único, e com ele, todo o objecto de criação, portanto toda a criatividade/originalidade: “A única salvação do que é diferente é ser diferente até ao fim, com todo o valor, todo o vigor e toda a rija impassibilidade; tomar as atitudes que ninguém toma e usar os meios de que ninguém usa; não ceder a pressões, nem aos afagos, nem às ternuras, nem aos rancores; ser ele; não quebrar as leis eternas, as não-escritas, ante a lei passageira ou os caprichos do momento; no fim de todas as batalhas — batalhas para os outros, não para ele, que as percebe — há-de provocar o respeito e dominar as lembranças; teve a coragem de ser cão entre as ovelhas; nunca baliu; e elas um dia hão-de reconhecer que foi ele o mais forte e as soube em qualquer tempo defender dos ataques dos lobos” (Ser Diferente, Agostinho da Silva, in ‘Diário de Alcestes).

Henrique 14 de Setembro, 2009 às 21:05

Só mais uma achega:

“Não me preocupa no que penso nem a originalidade nem a coerência. Quanto à primeira, tudo aquilo com que concordo passa a ser meu — ou já meu era e ainda se me não tinha revelado. A minha originalidade está só, porventura, na digestão que faço. Pelo que respeita à coerência, bem me rala; o que penso ou escrevo hoje é do eu de hoje; o de amanhã é livre de, a partir de hoje, ter sua trajectória própria e sua meta particular. Mas, se quiserem pôr-me assinatura que notário reconheça, dirão que tenho a coerência do incoerente e a originalidade de não me importar nada com isso.”