Guimarães 2012

Guimarães 2012

Passou quase um mês sobre o lançamento oficial da marca escolhida para Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura, mas só recentemente comecei a ver a sua aplicação regular, em anúncios distribuídos por algumas publicações ligadas às artes. Aquando da sua apresentação, a identidade suscitou alguma desconfiança na blogosfera, principalmente o recurso alegadamente despropositado do coração (um símbolo visual evidentemente sobre-usado) e a fraca ligação entre a marca e o espírito e cultura vimaranenses. Confesso que, inicialmente, essas críticas me pareceram algo exageradas, mas após ler o case study publicado na página Web do designer responsável pela marca, o respeito moderado que tinha pela execução que conhecia (apresentada acima) desapareceu quase por completo.

Processo Criativo

Processo Criativo

O que me pareceu bem conseguido na marca foi o modo como aquela deformação aparentemente abstracta de um coração se assemelha gradualmente, e à medida que se procura uma justificação para o L recortado ao centro, à metade inferior de um G maiúsculo, aludindo assim (pensava eu) à cidade de Guimarães. A ser assim, continuaria a ser um conceito pouco inovador mas que, aliado à sua interessante execução, resultava sem arriscar demasiado. O case study, no entanto, não indica claramente se essa alusão é propositada ou não, chegando mesmo a fazer acreditar que a semelhança é pura coincidência – tal pode ajudar a explicar porque é que a letra escapou à grande maioria da comunidade que se apressou a apontar-lhe o dedo. De acordo com a explicação oficial, o recorte que o coração ostenta é, na realidade, uma representação combinada de uma muralha e da viseira de um elmo, algo que um grande número de pessoas parece, compreensivelmente, ter alguma dificuldade em vislumbrar.

O símbolo agrega alegoricamente a muralha em representação do Património da Humanidade presente em Guimarães, o desenho da viseira de um elmo que presta homenagem à visão de D. Afonso Henriques, a proeminente figura da fundação de Portugal e é rematado sob a forma de um coração, em evocação plena do orgulho e sentimento vivo de pertença dos vimaranenses em relação à sua cidade.
Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura – Case Study

Variações da Marca

Variações da Marca

Quanto à tipografia, não é claro se a escolha da fonte responde a uma necessidade do projecto (facilitar a criação de stencils da marca, por exemplo) ou se é uma mera alusão à cultura urbana. Em todo o caso, o pequeno texto que justifica a marca não faz qualquer referência à tipografia, o que me parece preocupante. Finalmente, a opção de desmultiplicar a identidade em diferentes versões, com diferentes cores, estilos e contornos, apesar de se ter tornado aparentemente a norma nos últimos anos, não é totalmente descabida neste projecto em particular, resulta numa percentagem generosa dos casos e é propícia à personalização posterior das grandes massas. Apenas com o tempo, com a chegada de mais materiais de comunicação e de acções junto do público será possível avaliar adequadamente o sucesso da proposta.

[...] é objectivo que com o decorrer do tempo possam ser acrescentadas novas versões gráficas a esta selecção inicial, criando um repertório gráfico sem limite, reflexo da variedade, multiplicidade e diversidade cultural vimaranense, portuguesa e europeia.
Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura – Case Study

Nádia Costa 23 de Agosto, 2010 às 19:01

Só de realçar que o concurso, que levou à eleição desse logótipo/marca, teve como jurados nomes como Henrique Cayatte e António Modesto…

António Oliveira 16 de Novembro, 2010 às 15:44

“…é objectivo que com o decorrer do tempo possam ser acrescentadas novas versões gráficas a esta selecção inicial, criando um repertório gráfico sem limite, reflexo da variedade, multiplicidade e diversidade cultural vimaranense, portuguesa e europeia…”

Convinhamos que só por aqui se perceber o distanciamento entre a parte de comunicação e concretamente o breefing efectuado para a realização do concurso. É de lamantar esse facto. Contudo aos mais interessados fica uma referência. Quando se criam ou gerem marcas ou ate mesmo quando essa implementação é feita, há que ter em conta um universo de informação importante para a concretização de um projecto deste nível, com alguma excelência. Quando se apresenta como condição à participação neste concurso, o conjunto de trabalhos desenvolvidos, espera-se realmente muito mais do que aquilo que realemente foi escolhido. Uma marca tem de ser forte, gerar emoções POSITIVAS e criar “engagement”.
Neste últimos tempos tenho dado conta de uma grande projecto que me parece muito bme estruturado. A ALMABRAND! Excelente projecto. Aos responsáveis por este projecto e este blog, fica o registo. Vejam o que de bem feito e desenvovolvido em Portugal e para Portugal e divulguem. http://www.almabrand.com

Obrigado
António de Oliveira