Li recentemente na revista Blitz do mês de Junho, na coluna Observatório escrita pelo Gimba, uma crónica que me agarrou e me fez notar o quanto pertinente e transversal a inúmeras áreas ela conseguiu ser. Passo então a transcrever na Ãntegra o dito artigo denominado “Obesidade Musical”:
Venho falar-vos de «obesidade musical». É uma doença tão ou mais letal que as modernas e me(r)diáticas epidemias. Pior: não se vê ninguém esboçar qualquer tipo de medida para a combater!
Eu sigo atentamente o fenómeno da «obesidade mental», um conceito criado por um professor de Harvard (Andrew Oitke) que vê o drama nestes termos: «A humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gorduras à conta de uma alimentação desregrada. Está na hora de assumir que os nossos abusos no campo da informação estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses».
Diz ele que a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteÃnas, e mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono. As pessoas viciam-se em estereótipos, juÃzos apressados, pensamentos tacanhos e condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada!
Os mestres da fast food intelectual são so jornalistas e os editores de informação. Os telejornais e telenovelas são os hamburgueres do espÃrito; as revistas e jornais são os donuts da mente!
Tem toda a razão, o professor. Mas eu acrescentaria algo a este cenário negro: a toda esta informação inútil – que nos leva a consumir as hiper-calóricas banalidades de um “24 Horas” em vez de uns dietéticos livros de Camilo ou Eça – junta-se um fenómeno de «obesidade musical», que em Portugal atinge proporções alarmantes. Um autêntico surto!
Podendo enriquecer o espÃrito com um reportório válido, alicerçando e reforçando a sua cultura geral com um conhecimento musical exemplar, a maioria dos portugueses opta por uma dieta de música absolutamente suicida!
No lugar de uma cuidada ementa, que poderia ir de Beethoven aos Beatles, de Tom Jobim a Miles Davis, de Scott Joplin a JP Simões, (são mais que muitos os “produtos” e combinações aconselháveis), o «indÃgena da Rua dos Fanqueiros» prefere alinhar numa carneirada balofa, nutrindo-se de bombas calóricas absolutamente cancerÃgenas – como são os casos dos Patinhos, Popotas, Lucys, fenómenos de moda e pimbalhadas a granel – em quantidades que só o empobrecem e embrutecem!
Lá está: a TV, a rádio e a imprensa são os fornecedores impunes destas perigosas drogas legais que – à mistura com notÃcias absolutamente ocas – envenenam a maioria da nossa população, impedindo-a de atingir qualquer tipo de lucidez que lhe permita encetar a revolução e acabar de vez com os fascistas que dominam os me(r)dia!
Vamos calar e consentir?
Tá dito…


