Mais que justo, parece-me necessário promover a leitura deste artigo de Mário Moura, acerca da mistura de indignação e incredulidade que o valor cobrado por Henrique Cayatte ao Estado pelo design da página Web e estacionário das comemorações do Centenário da República tem gerado.
Como já apontamos anteriormente, no fim de semana passado a Nefasto teve o privilégio de estar presente no festival CINANIMA com um filme a concurso. No entanto, nem só de cinema se fez o CINANIMA, decorrendo paralelamente às secções competitivas exposições, performances e muitas outras actividades, de entre as quais tivemos a oportunidade de assistir a um debate cujo tema era o estado do cinema de animação em Portugal.
Numa sala mais reservada, em jeito de conversa e com um número mais reduzido de interessados, juntaram-se então entendidos da matéria, animadores, jornalistas, professores e simplesmente apreciadores para discutirem este tema.
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Cinanima
Depois do Grande Prémio FEST09 atribuído no Fest, “O Direito à Infelicidade” presenteou a Nefasto com o ‘Prémio Jovem Cineasta Português’, no Cinanima. Pela grande surpresa e honra que sentimos por esta atribuição, deixamos um enorme agradecimento ao júri do Cinanima e a todos os que nos têm apoiado.
Uma boa percentagem dos designers gráficos e/ou multimédia em actividade em Portugal já o terá sentido por diversas vezes, mas não deixa de ser uma amarga novidade o olhar, parte reprovação, parte pena, de quem em má hora pergunta: então e você, faz o quê? Não se sente com tanta intensidade no litoral, por certo, mas, no interior do país, o designer está condenado, pelo menos por mais meia-dúzia de anos, à infeliz condição de profissional menor – talvez até nem profissional, uma espécie de técnico de composição gráfica semi-amador que, por algum motivo, se perdeu na heróica caminhada rumo à profissionalização nas nobres áreas da saúde, da engenharia ou, porque não, da arquitectura.
Acabo sempre por me arrepender, mas lá vou respondendo honestamente à pergunta. Hoje foi no consultório, para desilusão do médico, que se entusiasmava já quando lhe disse que tirava um mestrado em Coimbra – “Ai sim? Óptimo! Então e em quê?”. Era previsível que a reacção à minha resposta fosse um seco ah, seguido de um desviar do olhar e de conversa, e que acabasse comigo a desejar ter respondido qualquer coisa como engenharia bio-mecânica e macro-electro-técnica aplicada à medicina aeroespacial.
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Mestre Agostinho da Silva
Embrenhado entre páginas e páginas de conteúdo, fui de encontro mais uma vez ao grandioso Homem, Agostinho da Silva, verdadeiro ser pensante, intemporal nas suas palavras, encontrei nele casa ao raciocínio que tecia no meu relatório de estágio. Sobre algo a que não quero dar peso pela oposição ao meu pensamento, lembrei o caso de alguém que afirmou a morte, ou não existência de originalidade nos tempos actuais. Sendo o tema complexo, a resposta contrária, óbvia, não deixa de necessitar reflexão.
A originalidade, define à partida, algo que necessita de termo de comparação,para se destacar pela diferença, ora a diferença aplica-se a qualquer coisa do universo, inclusive ao Homem. E foi aqui que encontrei a mestria das palavras de Agostinho da Silva, que não resisto a partilhar-vos: “Cada um de nós como homem é inteiramente excepcional, e todas as coisas que existem no mundo deveriam ser excepções aplicadas a estes seres excepcionais. Simplesmente as condições da sociedade em que vivemos, obriga todos nós a lentamente, nos indo parecendo uns com os outros…” afirmando o claro papel toldante do meio e da sociedade sobre a nossa individualidade.
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Depois de estar presente com muita honra nos festivais Caminhos do Cinema Português, Curtas de Vila do Conde e de ter sido premiada no FEST, com o filme O Direito À Infelicidade, a Nefasto continua a sua, tão agradável como improvável e surpreendente, caminhada no circuito dos festivais de cinema portugueses.
A próxima paragem será na cidade do Fundão, no Imago Film Fest, incluídos na categoria “Under 25“, reservada, como o nome indica, a realizadores com menos de 25 anos provenientes de qualquer parte do mundo com filmes realizados com baixos orçamentos. O festival começa dia 26 de Setembro e prolonga-se até dia 6 de Outubro.
Posteriormente, seguiremos rumo para paragens mais a norte, mais propriamente para Espinho, para o conceituadíssimo Cinanima, no qual o nosso filme estará a concurso na categoria “Prémio Jovem Cineasta Português”. Este festival pode ser acompanhado de 9 a 15 de Novembro.
A Nefasto aconselha todos os que possam, a acompanhar ambos os festivais, não só para apoiar o nosso filme, mas principalmente para ver bom cinema, do melhor que se faz no mundo do cinema independente e que certamente não terão oportunidade de ver noutra altura.