Marca Continente

Marca Continente

Quando, há um par de anos, o Continente decidiu repensar o desenho da sua gama de produtos, lembro-me de pensar que tinha sido um passo em falso. Na altura, falei disto com alguns colegas, e a opinião generalizada parecia ser a de que algumas das embalagens não tinham sido devidamente pensadas, particularmente ao nível cromático. Se por um lado o Continente procurou normalizar o aspecto gráfico dos seus produtos, algo até então completamente esquecido pela multinacional, atribuindo-lhes um esquema de cores de acordo com a categoria a que pertence cada produto, por outro não havia como negar que uma garrafa de água com rótulo e tampa em tons de vermelho parecesse incrivelmente despropositado. Esse era um problema que, parecia-me, acabava por se sobrepor a todo o conceito da mudança, por muito válidos que fossem os motivos que a originaram – não raras vezes dei por mim a desviar o pacote do leite, acreditando tratar-se de vinho ou sumo, e a procurar a embalagem branca e azul ou verde (consoante magro ou meio-gordo)1 a que desde cedo me habituei.

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  1. Cores partilhadas, apesar de não necessariamente nesta ordem, por mais do que uma marca de leite, até há relativamente pouco tempo.
Multitouch no OFFF 09

Apresentação dos Multitouch Barcelona no OFFF 09

Há pouco mais de dois meses falou-se, numa tertúlia informal no TAGV (Coimbra), da Internet nos nossos dias. Falou-se particularmente do fenómeno Twitter que, por suscitar sentimentos de pertença a esta ou aquela comunidade, geração ou ideia, acabou por dominar grande parte da discussão. Naturalmente, falávamos da Internet (particularmente da denominada 2.0) e não especificamente do Twitter, mas creio que isso nem sempre ficou claro, o que levou alguns dos presentes a associarem a minha opinião a uma certa carolice anti-Twitter.

Aproveito agora para trazer a discussão para aqui, e expor o meu ponto de vista a quem possa interessar. O argumento inicial será sempre este: por mais voltas que dê à cabeça, por mais informação que procure ou abertura de mente que tente ter, não consigo vislumbrar a chave do sucesso do Twitter. É claro que compreendo a força da novidade e da mobilização social, é claro que já li muita propaganda1 e é claro que tenho consciência de que apenas uma insignificante percentagem dos assíduos utilizadores da Internet partilha desta opinião. Ainda assim, não consigo evitar sentir que há um desfasamento muito grande entre o verdadeiro potencial do Twitter, e os seus impactos social, cultural e económico2.

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  1. Quase sempre disfarçada de entrevistas a Biz Stone.
  2. Se não imediato, a médio-longo prazo. Convém não esquecer, ainda assim, que há já empresas a lucrar com a rede social, vendendo seguidores (followers) a utilizadores à procura da sua audiência.

Encontrar a definição exacta de design gráfico não é uma tarefa simples. Não por ser uma área particularmente difícil de delimitar, mas porque, durante largos anos, ninguém procurou fazê-lo com exactidão. Por vezes, nem mesmo o designer gráfico sabe ao certo qual a amplitude e a abrangência das suas competências. Barnard (2005, p. 10) confirma-o: «definições satisfatórias do que é o design gráfico são difíceis de encontrar», e reforça dizendo que «alguns dicionários ingleses nem sequer incluem as palavras “graphic design/er†e, quando o fazem, as definições não são, regra geral, de grande utilidade».

Essa ausência de referências acreditadas leva muitas vezes à procura de definições alternativas, e a melhor forma de introduzir qualquer tentativa de explicar o design gráfico talvez continue a ser a enunciação da célebre frase de Aaron Burns: «a comunicação ideal é de pessoa para pessoa. Tu vês-me, ouves-me, cheiras-me e tocas-me. A televisão é a segunda forma de comunicação; tu vês-me e ouves-me. A rádio é a seguinte; tu ouves-me, mas não me vês. E depois vem a comunicação impressa. Tu não me consegues ver nem ouvir e, portanto, deves ser capaz de interpretar o tipo de pessoa que eu sou pelo que está impresso no papel» (White, 2002). Obviamente, o design gráfico não se esgota num só suporte físico, mas, levado às últimas consequências, é disso que se trata – veicular um conceito, ideia ou opinião através do uso e organização de elementos gráficos. Ou, como articulado por Hollis (1994, p. 7), «o design gráfico é o ofício de criar ou escolher marcas e arranjá-las numa superfície para comunicar uma ideia».

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17º Curtas de Vila do Conde

17º Curtas de Vila do Conde

De 4 a 12 de Julho, a Nefasto esteve presente no 17º Festival de Curtas de Vila do Conde, no lindíssimo e recentemente restaurado Teatro Municipal de Vila do Conde, que mais uma vez deu a conhecer ao público o que se faz de melhor no panorama do cinema de curtas metragens, tanto nacional como internacionalmente.

Para além de fazer parte dos seleccionados para este festival na categoria TakeOne! com o filme “O Direito À Infelicidade“, os membros da Nefasto marcaram presença como espectadores e apaixonados do cinema à espera de ver bons filmes e encontrar mais obras dignas de admiração e culto. De facto, o festival esteve à altura dessas expectativas e presenteou-nos com uma boa selecção de filmes, (fossem eles de ficção, documentário, animação…) filmes/concertos e uma organização digna da reputação do festival.
De entre tudo o que vimos, destacamos a nova produção da Zed Filmes, nossa conhecida das paragens de Coimbra, com o excelente “El Justiciero“, o vencedor da Competição Nacional “Canção de Amor e Saúde” com o músico Norberto Lobo a sair do seu habitat natural e a revelar-se como protagonista, e ainda o muito subvalorizado (na nossa opinião, claro) “The Ground Beneath“, que se contentou com o modesto Prémio Curtinhas, mas que na opinião de alguns foi sem dúvida o melhor filme em competição.

Só nos resta agradecer a cordialidade da organização do festival, pela maneira como fomos tratados e dizer que foi uma honra enorme estarmos presentes como seleccionados entre tantas e tão boas obras e outros cinéfilos e cineastas de qualidade. Esperemos que para o ano se possa repetir…

FEST, Festival Internacional de Cinema Jovem de Espinho

FEST

O primeiro trabalho de animação do Colectivo Nefasto, O Direito à Infelicidade, foi este fim-de-semana galardoado com o Grande Prémio Nacional do FEST, Festival Internacional de Cinema Jovem de Espinho. É ao mesmo tempo uma surpresa e uma honra, e queremos agradecer ao júri do festival pela distinção.

Aproveitando a deixa, fica a informação de que a próxima exibição do filme será no Festival Internacional de Cinema de Vila do Conde, onde integra a lista de filmes da secção competitiva Take One!, destinada a “premiar novos realizadores ligados aos estudos cinematográficos e à área do audiovisual nas escolas superiores de cinema do país”. O colectivo Nefasto estará presente na sessão em que é exibido o filme, quarta-feira, dia 8 de Julho, às 18h00.

Li recentemente na revista Blitz do mês de Junho, na coluna Observatório escrita pelo Gimba, uma crónica que me agarrou e me fez notar o quanto pertinente e transversal a inúmeras áreas ela conseguiu ser. Passo então a transcrever na íntegra o dito artigo denominado “Obesidade Musical”: (continua…)